quarta-feira, 30 de junho de 2010




O que a lagarta chama de fim do mundo, o homem chama de borboleta.


[Richard Bach]




Boa noite.



"Querida Karen,
Se está lendo isso é porque eu tive coragem de mandar. Bom pra mim.
Você não me conhece muito bem, mas se deixar, tenho tendência de falar que tenho dificuldades para escrever.
Mas isso... É a coisa mais difícil que já tive que escrever. Não há maneira fácil de dizer, então vou falar logo.
Conheci uma pessoa. Foi um acidente, eu não estava à procura. Foi uma tempestade perfeita. Ela falou algo, eu também. Quando vi, queria passar o resto da minha vida nessa conversa.
Agora estou com a intuição de que ela pode ser a mulher certa. Ela é totalmente louca, de um jeito que me faz sorrir, altamente neurótica. Exige uma grande quantidade de renovação.
Ela é você, Karen. Essa é a boa notícia.
A má é que não sei como ficar com você nesse momento. E isso assusta pra caralho. Porque se não ficar com você agora, sinto que nos perderemos.
O mundo é grande, mal, cheio de reviravoltas. As pessoas costumam piscar e perder um momento. O momento que poderia mudar tudo.
Não sei o que está acontecendo entre nós, e não sei por que deveria gastar seu tempo comigo. Mas como seu cheiro é bom! Como o lar. E você faz um ótimo café, isso tem que valer alguma coisa.
Me liga.

Seu infiel,
Hank Moody."



[Californication]

terça-feira, 29 de junho de 2010




Ou se tem chuva e não se tem sol

ou se tem sol e não se tem chuva!



Ou se calça a luva e não se põe o anel,

ou se põe o anel e não se calça a luva!



Quem sobe nos ares não fica no chão,

quem fica no chão não sobe nos ares.



É uma grande pena que não se possa

estar ao mesmo tempo nos dois lugares!



Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,

ou compro o doce e gasto o dinheiro.



Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…

e vivo escolhendo o dia inteiro!



Não sei se brinco, não sei se estudo,

se saio correndo ou fico tranqüilo.



Mas não consegui entender ainda

qual é melhor: se é isto ou aquilo.





[Meireles, C.]

segunda-feira, 28 de junho de 2010





'Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. '

[Caio F.]

quarta-feira, 23 de junho de 2010




Tanta vontade de viajar para bem longe, conhecer outras pessoas, ver outras paisagens, romper todos os laços, sem deixar endereço, e só voltar quando não existir mais vertigios de sentimento que está acabando comigo.


Caio F.

Bom são Joãooo!

terça-feira, 22 de junho de 2010





- coração meu, meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa. Ficou só com-cor, ação - repetido, invertido - ação, cor - sem sentido - couro, ação e não.


Tinha que ser Caio F.



Baladas de uma outra terra, aliadas
Às saudades das fadas, amadas por gnomos idos,
Retinem lívidas ainda aos ouvidos
Dos luares das altas noites aladas...
Pelos canais barcas erradas
Segredam-se rumos descridos...

E tresloucadas ou casadas com o som das baladas,
As fadas são belas e as estrelas
São delas... Ei-las alheadas...

E sao fumos os rumos das barcas sonhadas,
Nos canais fatais iguais de erradas,
As barcas parcas das fadas,
Das fadas aladas e hiemais
E caladas...

Toadas afastadas, irreais, de baladas...
Ais...


[Fernando Pessoa]