terça-feira, 7 de setembro de 2010




Meu maior medo é viver sozinho e não ter fé para receber um mundo diferente e não ter paz para se despedir. Meu maior medo é almoçar sozinho, jantar sozinho e me esforçar em me manter ocupado para não provocar compaixão dos garçons. Meu maior medo é ajudar as pessoas porque não sei me ajudar. Meu maior medo é desperdiçar espaço em uma cama de casal, sem acordar durante a chuva mais revolta, sem adormecer diante da chuva mais branda. Meu maior medo é a necessidade de ligar a tevê enquanto tomo banho. Meu maior medo é conversar com o rádio em engarrafamento. Meu maior medo é enfrentar um final de semana sozinho depois de ouvir os programas de meus colegas de trabalho. Meu maior medo é a segunda-feira e me calar para não parecer estranho e anti-social. Meu maior medo é escavar a noite para encontrar um par e voltar mais solteiro do que antes. Meu maior medo é não conseguir acabar uma cerveja sozinho. Meu maior medo é a indecisão ao escolher um presente para mim. Meu maior medo é a expectativa de dar certo na família, que não me deixa ao menos dar errado. Meu maior medo é escutar uma música, entender a letra e faltar uma companhia para concordar comigo. Meu maior medo é que a metade do rosto que apanho com a mão seja convencida a partir com a metade do rosto que não alcanço. Meu maior medo é escrever para não pensar.

[Fabrício Carpinejar]



"Fico vivendo uma vida toda pra dentro dentro, lendo, escrevendo, ouvindo música o tempo todo. Tenho tentado aprender a ser humilde. A engolir os nãos que a vida me enfia goela abaixo. A lamber o chão dos palácios. A me sentir desprezada como um cão, e tudo bem, acordar, escovar os dentes, tomar café e continuar... Fico ali parada, procurando alguma coisa que não estava nem esteve ou estaria jamias ali."

[Caio F.]

sexta-feira, 3 de setembro de 2010





Ela repousa como uma coisa
Eu consigo sentir o grande e vasto vazio
da sua cabeça.
Mas ela está viva. Ela geme e
coça o nariz e
puxa o cobertor.
Em breve irei beijá-la boa noite
e iremos dormir.
e lá longe fica a Escócia
e debaixo de terra as
toupeiras correm.
Ouço motores na noite
e pelo céu uma mão
branca acena:
boa noite, amor, boa noite.

[Bukowski]

quinta-feira, 2 de setembro de 2010




Enfrentei a saudade, contive o ímpeto da falta. Confesso que a imobilidade doeu mais do que um movimento abrupto. Se realizasse o ato banal, vestiria novamente os fantasmas.

A casa não era mais minha. Os hábitos não eram mais meus. Não tinha mais obrigação com o passado. Sequei o rosto com os próprios punhos.



[Carpinejar]



Já conheço os passos dessa estrada… E, mesmo assim, estarei sempre pronto para esquecer aqueles que me levaram a um abismo. E mais uma vez amarei. E mais uma vez direi que nunca amei tanto em toda a minha vida.

[Fernanda Young]


'Para aquele velho valente, quanto mais profunda
a ferida, mais secreta era a dor.'



[Isabel Allende]

quarta-feira, 1 de setembro de 2010