quinta-feira, 30 de julho de 2009



“Desculpa, digo, mas se eu não tocar
você agora vou perder toda a naturalidade,
não conseguirei dizer mais nada,
não tenho culpa,
estou apenas me sentindo sem controle,
não me entenda mal,não me entenda bem,
é só esta vontade
quase simples de estender o braço para tocar você..."


[C.F.A]







Bateram à minha porta em 6 de agosto,
aí não havia ninguéme ninguém entrou,
sentou-se numa cadeira e transcorreu comigo, ninguém.
Nunca me esquecerei daquela ausência que entrava como Pedro
por sua causae me satisfazia com o não ser,com um vazio aberto a tudo.
Ninguém me interrogou sem dizer nada e contestei sem ver e sem falar.


Que entrevista espaçosa e especial!

(Últimos Poemas)


Pablo Neruda

quarta-feira, 29 de julho de 2009



" Minha lâmpada de cabeceira está estragada. Não sei o que é, não entendo dessas coisas. Ela acende e, sem a gente esperar, apaga. Depois acende de novo, para em seguida tornar a apagar. Me sinto igual a ela: também só acendo de vez em quando, sem ninguém esperar, sem motivo aparente. Para a lâmpada pode-se chamar um eletricista. Ele dará um jeito, mexerá nos fios e em breve ela voltará a ser normal, previsível. Mas e eu? Quem desvendará meu interior para concertar meus defeitos? "


[C.F.A]

segunda-feira, 27 de julho de 2009


Como fosse um par que
Nessa valsa triste
Se desenvolvesse
Ao som dos Bandolins...
E como não?
E por que não dizer
Que o mundo respirava mais
Se ela apertava assim...
Seu colo
não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio
Se dançar assim
Ela teimou e enfrentou
O mundo Se rodopiando ao som Dos bandolins...
Como fosse um lar Seu corpo a valsa triste
Iluminava e a noite Caminhava assim
E como um par
O vento e a madrugada Iluminavam a fada
Do meu botequim...
Valsando como valsa
Uma criança
Que entra na roda
A noite tá no fim
Ela valsando
Só na madrugada
Se julgando
som dos Bandolins...
[Oswaldo Montenegro]



Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos,
já não se adoçará junto a ti a minha dor.
Mas para onde vá levarei o teu olhar e para onde caminhes levarás a minha dor.
Fui teu, foste minha.
O que mais? Juntos fizemos uma curva na rota por onde o amor passou.
Fui teu, foste minha.
Tu serás daquele que te ame, daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.
Vou-me embora.
Estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços.
Não sei para onde vou....
Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo adeus.




Pablo Neruda



Teus olhos são lassos, amante!
Olhos em sono a se perder,
Nesta posição tão distante
Pode surpreenter-te o prezer
E pelo pátio o jorro de água
Não cala nunca o seu rumor,
E entretém a extasiada mágoa
Em que pode atirar-me o amor.
Mas o amor irradia
E é odo flores
Ede Febo a alegria
Enche-o de corres
E tal chuva desfiaImensas dores




Charles Baudelaire

sábado, 25 de julho de 2009





'São tudo histórias, menino. A história que está sendo contada, cada um a transforma em outra, na história que quiser. Escolha, entre todas elas, aquela que seu coração mais gostar, e persiga-a até o fim do mundo. Mesmo que ninguém compreenda, como se fosse um combate. Um bom combate, o melhor de todos, o único que vale a pena. O resto é engano, meu filho, é perdição.''





[C.F]




Bom final de semana =*