quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
"É necessário agora que eu diga que espécie de homem sou. Meu nome, não importa, nem qualquer outro pormenor exterior meu próprio. Devo falar de meu caráter. A constituição inteira de meu espírito é de hesitação e de dúvida. Nada é ou pode ser positivo para mim; todas as coisas oscilam em torno de mim, e, com elas, uma incerteza para comigo mesmo. Tudo para mim é incoerência e mudança. Tudo é mistério e tudo está cheio de significado. Todas as coisas são 'desconhecidas', simbólicas do Desconhecido. Em conseqüência, o horror, o mistério, o medo por demais inteligente. Pelas minhas próprias tendências naturais, pelo ambiente que me cercou a infância, pela influência dos estudos realizados sob o impulso delas (dessas mesmas tendências), por tudo isto meu caráter é da espécie interiorizada, concentrada, muda, não auto-suficiente, mas perdida em si mesma. Toda a minha vida tem sido de passividade e de sonho".
[Fernando Pessoa]
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[quando dentros, quantos estranhos dentro do eu estranho... quantas pessoas em Pessoa? que não encontro resposta!]
ResponderExcluirum imenso abraço, Flávia
Leonardo B.
"Tudo é mistério e tudo está cheio de significado."
ResponderExcluire isso deixa minha cabeça louca
Adorei, Flavinha, lindo texto!
ResponderExcluir;)
Beijos
Fernando Pessoa, adoro os pensamentos dele...
ResponderExcluir"Tudo é mistério e tudo está cheio de significado"...afinal, td é relevante e td é relevado...
Abração linda e até mais...